sábado, 11 de junho de 2016

Jackson do Pandeiro tem o essencial de sua obra relançado

Um dos maiores gênios da música brasileira e um dos grandes divulgadores da cultura nordestina para todo o país foi sem dúvida Jackson do Pandeiro. Apesar de ter demorado bastante a ter seu talento reconhecido - já estava beirando os 35 anos de idade -, quando finalmente estourou em 1953 com “Forró em Limoeiro” e “Sebastiana”, e a partir daí ele nunca mais parou. De atividade ininterrupta como cantor, compositor e músico de estúdio, seguiu lançando um disco atrás do outro em diversas gravadoras até sua morte, em 1982.
A caixa “Jackson do Pandeiro – O Rei do Ritmo” tem a peculiaridade de trazer à tona uma de suas fases mais ricas e ao mesmo tempo raras de se encontrar no mercado – a que gravou na Philips nos anos 1960 e início dos 70. Fora isso há mais de seis dezenas de faixas avulsas de compactos e principalmente de discos dedicados às festas juninas e ao carnaval que ele participava anualmente e que foram resgatadas aqui pela primeira vez.
Jackson gravou diversos discos de 78 rotações nos anos 1950, na extinta Copacabana, hoje também incorporada à Universal Music, onde lançou todos os seus sucessos iniciais, incluindo “A mulher do Aníbal”, “Um a um”, “Dezessete na corrente”, “Ele disse”, “Coco social”, “O canto da ema” e “Xote de Copacabana”. Esta fase foi agrupada nas coletâneas “Os primeiros forrós de Jackson do Pandeiro” – Vols. 1 (CD duplo) e 2 (CD simples).
Depois, os raríssimos fonogramas da primeira metade dos anos 1960, retirados de nove LPs gravados entre 1960 e 65, estão em três coletâneas duplas intituladas “Jackson do Pandeiro nos anos 60” – Vols. 1, 2 e 3. São desta fase “A mulher que virou homem”, “Cantiga da perua”, “Xexéu de bananeira”, “Como tem Zé na Paraíba”, “Samba do ziriguidum” e “Forró do Zé Lagoa”.
Completando a caixa, tem a reedição de dois álbuns originais, um gravado em 1970 (“Aqui tô eu”), em que alterna inéditas com regravações de alguns clássicos da sua obra dos anos 50 com melhor tecnologia, como “Chiclete com banana”, e seu derradeiro álbum gravado em 1981 (“Isso é que é forró”), que traz, entre outras, “Cabeça feita” e “Tem pouca diferença” regravadas anos depois com sucesso por Gal Costa e seu “rival” em estilo, Luiz Gonzaga.
Finalmente, suas inúmeras faixas avulsas estão reunidas em duas compilações duplas – “Na base da chinela”, com fonogramas registrados entre 1960 e 1963, e “Balança moçada”, com gravações de 1963 a 1971, incluindo sucessos de carnaval (“O velho gagá”, “Vou ter um troço”), tributos à seleção brasileira de futebol (“Frevo do bi”) e diversas canções de São João que nos remetem a um Brasil mais autêntico, pré-globalização.

Peça discute relações atuais com o tempo

“Urgente”, o novo espetáculo da Cia. Luna Lunera, estreia no CCBB Rio de Janeiro na próxima sexta, 17. A companhia mineira celebra 15 anos com esta montagem que tem direção de Miwa Yanagizawa e Maria Sílvia Siqueira Campos. A peça discute relações atuais com o tempo e tem trilha sonora assinada pela banda Constantina.
Quantos planos e sonhos ficam nas gavetas por falta de tempo? A impressão que dias, meses e anos passam cada vez mais rápido é comum a muitas pessoas? A sensação que a vida é adiada para um futuro, que demora a chegar, foi o ponto de partida para a criação deste novo projeto do grupo mineiro. Em cena, os atores Cláudio Dias, Isabela Paes, Marcelo Souza e Silva, Odilon Esteves e Zé Walter Albinati apresentam um enredo ficcional que se revela aos poucos e se relaciona com retrospectivas, de dois minutos cada, da vida dos próprios atores. “Como resumir uma vida em um tempo tão curto? O que nos marca e nos constitui como pessoas? Queremos promover uma reflexão sobre as delicadas relações que o ser contemporâneo trava com o transcurso irrefreável da vida”, destaca Zé Walter Albinati.